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Das músicas que falam pelos outros

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You day breaks, your mind aches
You find that all her words
of kindness linger on
When she no longer needs you
She wakes up, she makes up
She takes her time and doesn't
feel she has to hurry
She no longer needs you

And in her eyes, you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years

You want her, you need her
And yet you don't believe her
When she says her love is dead
You think she needs you

And in her eyes, you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years

You stay home, she goes out
She says that long ago she knew someone
but now he's gone
She doesn't need him
your day breaks, your mind aches
There will be times when all the things
she said will fill your head
You won't forget her

And in her eyes, you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years

Dilemas espaço-temporais

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Às vezes tentamos expressar certas quantidades utilizando fórmulas, teorias, números e afins. E isso é um ótimo modo de tornar algumas situações, de certo modo, palpáveis. Contudo, devo concordar com quem diz que muito disso acaba com a poesia de determinados assuntos.

Numa das minhas leituras, recentemente me deparei com o seguinte trecho, que apesar de não conter o significado em essência da Teoria da Relatividade Restrita, de Albert Einstein, foi escrito por outro alemão, contemporâneo daquele, e mostra de modo muito claro como o espaço e o tempo se confundem.

Dois dias de viagem apartam um homem e especialmente um jovem que ainda não criou raízes firmes na vida do seu mundo cotidiano, de tudo quanto ele costuma chamar seus deveres, interesses, cuidados e projetos; apartam-no muito mais do que esse jovem imaginava, enquanto um fiacre o levava à estação. O espaço que, girando e fugindo, se roja de permeio entre ele e seu lugar de origem, revela forças que geralmente se julgam privilégio do tempo; produz de hora em hora novas metamorfoses íntimas, muito parecidas com aquelas que o tempo origina, mas em certo sentido mais intensas ainda. Tal qual o tempo, o espaço gera o olvido; porém o faz desligando o indivíduo das suas relações e pondo-o num estado livre, primitivo; chega até mesmo a transformar, num só golpe, um pedante ou um burguesote numa espécie de vagabundo. Dizem que o tempo é como o rio Letes; mas também o ar de paragens longínquas representa uma poção semelhante, e seu efeito, conquanto menos radical, não deixa de ser mais rápido.

(A Montanha Mágica - Thomas Mann)

Ultimamente, tenho preferido esta última interpretação.

Microcontos VI

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  • Não suportava as pessoas, suicidou-se para enfim ficar sozinho. Odiou o próprio velório, estavam todos lá.
  • Resolveu tirar umas férias de 10 anos, no passado. Havia comprado uma máquina do tempo, em 10 vezes, sem entrada. 
  • Como um bom cristão, acreditava em Deus. Só não sabia se no sádico do primeiro testamento ou no omisso do segundo.

Microcontos V

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  • Viciado em literatura, todo dia retirava um livro novo na biblioteca para satisfazer seu vício. Revendia no sebo, para comprar mais drogas.
  • Estava numa situação tão complicada que sua melhor opção era se cagar. E não hesitou.
  • Achou por bem se calar. E nos 80 anos que se passaram, suas únicas palavras foram as últimas : 'eu me lembro perfeitamente.'